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Antropologia
"O
pior emprego do mundo é o meu"
Luiz Almeida Marins Filho - Antropólogo,
Professor Universitário, Palestrante, Comentarista Empresarial
e de Negócios,
entre outros.
e-mail:
professor@marins.com.br
Publicado em 18/09/08 |
Já ouvi essa frase dezenas de vezes. Sem muita consciência
da realidade, das dificuldades, da pressão por custos, dos efeitos
da globalização nos mercados, muitos colaboradores começam
a desenvolver uma impressão - que com o tempo e a repetição
passa a tornar-se, para eles, uma quase-verdade - de que trabalham na
pior empresa do mundo, que têm o pior salário do mundo,
e que tudo na empresa é muito ruim - da comida ao uniforme e
que têm “o pior emprego do mundo”.
É claro que há situações salariais negativas.
É claro que há empresas em que a alimentação
e o uniforme não são os melhores. Mas será essa
a realidade da grande maioria? Será essa a realidade da sua empresa,
da empresa em que você trabalha?
Além disso, é preciso usar um pouco de lógica quando
se faz uma afirmação desse tipo: melhor ou pior em relação
a qual empresa? Melhor ou pior em relação a qual setor
da economia? Melhor ou pior do que qual comida ou uniforme? Quando dizemos
“pior ou melhor” estamos fazendo uma afirmação
comparativa. Estamos nos comparando com quem? Será essa comparação
justa? Seremos nós, também, os melhores ou os piores colaboradores?
Em relação a quem?
Ao fazer essas perguntas poderemos descobrir que estamos comparando
situações e realidades diferentes. Muitas vezes estamos
fazendo comparações por ouvir dizer e acreditando mesmo
em meias-verdades de amigos em churrascos de final de semana que afirmam
receber de suas empresas aquilo que de fato não têm. Mente-se
muito sobre salários e benefícios para impressionar amigos.
Cheque as informações que lhe deram de outras empresas
e você verá que estou falando a verdade.
E essa atitude continuada de falar mal da empresa por uma parte dos
colaboradores pode até desestimular melhorias. Muitos empresários
afirmam que “não adianta melhorar nada, pois os empregados
sempre reclamarão”.
Muitos dirão que eu estou fazendo uma defesa injustificada dos
patrões e das empresas. Mas não é isso que estou
fazendo. O que estou pedindo é que cada um faça uma justa
avaliação da realidade e que tenha em conta todos os fatores
que compõem a realidade e não apenas uma visão
ingênua e unilateral. Seremos nós tão competentes,
dedicados e comprometidos como imaginamos ser?
Nesta semana, faça uma análise fria, sensata e equilibrada
de suas condições de trabalho e de seu emprego. Será
que você realmente está no inferno que diz estar? Será
que você não está acreditando numa mentira e achando
que está no pior emprego do mundo, na pior empresa, com o pior
salário do mundo?
Pense nisso. Sucesso!
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